AUTISMO EM GOIÂNIA

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PALAVRAS DA FONOAUDIÓLOGA E MÃE MARILUCE

Eu não vou mudar meu filho porque é autista; eu prefiro mudar o mundo, e fazer um mundo melhor; pois é mais fácil meu filho entender o mundo, do que o mundo entender meu filho.

ESTOU SEMPRE NA BUSCA DE CONHECIMENTOS PARA AJUDAR MEU FILHO E PACIENTES. NÃO SOU ADEPTA DE NENHUM MÉTODO ESPECÍFICO, POIS PREFIRO ACREDITAR NOS SINAIS QUE CADA CRIANÇA DEMONSTRA. O MAIS IMPORTANTE É DEIXÁ-LOS SEREM CRIANÇAS, ACEITAR E AMAR O JEITO DIFERENTE DE SER DE CADA UM, POIS AFINAL; CADA CASO É UM CASO E PRECISAMOS RESPEITAR ESSAS DIFERENÇAS. COMPARAÇÃO? NÃO FAÇO NENHUMA. ISSO É SOFRIMENTO. MEU FILHO É ÚNICO, ASSIM COMO CADA PACIENTE.
SEMPRE REPASSO PARA OS PAIS - INFORMAÇÕES, ESTRATÉGIAS, ACOMODAÇÕES E PEÇO GENTILMENTE QUE "ESTUDEM" E NÃO FIQUEM SE LUDIBRIANDO COM "ESTÓRIAS" FANTASIOSAS DA INTERNET. PREFIRO VIVER O DIA APÓS DIA COM A CERTEZA DE QUE FAÇO O MELHOR PARA MEU FILHO E PACIENTES E QUE POSSO CONTAR COM OS MELHORES TERAPEUTAS - OS PAIS.

Por Mariluce Caetano Barbosa




COMO DEVO LIDAR COM MEU FILHO AUTISTA?

Comece por você, se reeduque, pois daqui pra frente seu mundo será totalmente diferente de tudo o que conheceu até agora. Se reeducar quer dizer: fale pouco, frases curtas e claras; aprenda a gostar de musicas que antes não ouviria; aprenda a ceder, sem se entregar; esqueça os preconceitos, seus ou dos outros, transcenda a coisas tão pequenas. Aprenda a ouvir sem que seja necessário palavras; aprenda a dar carinho sem esperar reciprocidade; aprenda a enxergar beleza onde ninguém vê coisa alguma; aprenda a valorizar os mínimos gestos. Aprenda a ser tradutora desse mundo tão caótico para ele, e você também terá de aprender a traduzir sentimentos, um exemplo disso: "nossa, meu filho tá tão agressivo", tradução: ele se sente frustrado e não sabe lidar com isso, ou está triste, ou apenas não sabe te dizer que ele não quer mais te ver chorando por ele.

domingo, 17 de junho de 2012

AUTISMO - SEXUALIDADE POR MANUEL VASQUEZ I e II PARTE

Mariluce Caetano, minha dileta amiga. Preciso pedir desculpas para todos que comparecem neste espaço, mas tenho que me estender nesse assunto, que é importante e necessário. Acontece que a sexualidade é natural do ser humano, indispensável como energia e como perpetuação da espécia. A sexualidade já está presente na fase de feto, no útero, e não nos abandona até a morte. Sendo natural do ser humano, e sendo o autista um ser humano, até prova em contrário, é preciso reconhecer que também os autistas têm sexualidade. Preciso contar dois casos que aconteceram comigo para exemplificar e entrar no assunto propriamente dito, que é a sua pergunta:
caso um: um casal que me procurou com tanta urgência, que tive que recebe-los na minha casa num fim de semana: o filho deles, de 19 anos estava apaixonado pela empregada e vivia no assédio. Eles gostavam muito da empregada e não queriam que ela se zangasse e se fosse. Então queriam a minha opinião sobre castrar quimicamente o rapaz. Argumentei que a sexualidade nessa idade é normal, então eles me disseram que nele não, porque ele é autista!

caso dois: atendi um rapaz autista de 22 anos que se masturbava em qualquer lugar. A família recebia visitas, e lá aparecia ele se masturbando na sala. Após a entrevista com a família e uma sessão com o rapaz, percebi onde estava o problema: como ele era autista, a família sempre manteve uma vigilância sobre ele. Seu quarto não tinha porta, o banheiro não tinha tranca, tudo na casa era aberto porque os pais tinham medo de que ele se trancasse e se machucasse, ou não conseguisse abrir. Conclusão: o rapaz não tinha noção do que era público e do que era privado. A culpa não era da sexualidade, que é natural, mas da educação que teve. Bastaram tres sessões para que ele entendesse a diferença, e seus pais também, e passasse a se masturbar no seu quarto fechado (é certo que tentava se masturbar na minha sala, mas para ele minha sala era privada, não pública. Depois também isso foi equacionado). É esta segunda experiência que quero contar, e a estratégia que usei (e uso).

O primeiro ensinamento que fica é que devemos dar autonomia a nossos filhos, independentemente do transtorno que carreguem, para que façam a distinção entre o privado e o público. Todos nós, se formos saudáveis, nos masturbamos ou fazemos sexo, e isso não pode ser motivo de vergonha. Apenas buscamos os locais certos para isso. Peço desculpas à terapeuta que recomendou cuecas apertadas, mas isso é tortura física. Todo menino e todo homem deve dormir sem cueca, com pijamas largos, porque um homem tem diversas ereções enquanto dorme, e a pressão da ereção sobre uma roupa apertada, além de dolorida, causa doenças sérias. Sem contar que a dor corta o sono e aumenta a hiperatividade.

O segundo ponto é o interessante, porque acredito que voces ainda não tem conhecimento por se tratar de uma ferramenta que criei especialmente para isso: uma simples cartolina, ou papel cartão, branca. Na borda, colamos uma fita de cartolina vermelha, de uns 10cm de largura, fazendo um quadrado em volta da cartolina branca. Colamos apenas alguns centímetros no lado externo, de modo que fique um espaço para enfiar algumas fitinhas de cartolina. Na parte interna, fazemos outro desses quadrados, agora com cartolina verde, colada da mesma maneira. Fica então uma cartolina branca com dois quadrados (podem ser círculos), onde vamos fixar fotos, figuras, desenhos...

Trabalhei com esse material com meu filho, inicialmente para explicar a ele quem era íntimo e quem era apenas amigo: no quadrado interno (azul) colocava fotos dele e das pessoas que podiam dormir com ele, limpar a bunda, dar banho. No quadrado externo, colocava fotos de amigos que eram amigos, mas não podiam fazer essas coisas íntimas. Com o tempo, fui usando esse material também para alfabetização (colocava as letras do alfabeto no quadrado externo, uma figura no interno e pedia para construir o nome da figura, usando as letras. Isso feito, ficava claro para ele que aquelas letras eram íntimas da figura, e as que ficavam de foram não eram)...

Usei essa cartolina com o rapaz: fotos de pessoas íntimas, que podiam vê-lo exercendo o direito da sexualidade ficavam no quadrado interno; ambientes onde ele podia se masturbar ficavam no quadrado interno; pessoas e ambientes que não podiam ver ficavam no quadrado externo. Não foi difícil com ele, foi mais dificil explicar aos pais que ele tinha direito pleno à sua sexualidade, intimidade, quarto com porta e tranca.

penso assim: todo indivíduo em direito à sua sexualidade. Dar remédios para reduzir a libido ou para castrar quimicamente não é legal. Nossos filhos não autistas se masturbam e nós lavamos os lençóis, às vezes até temos orgulho da sexualidade deles, porque demonstra que são saudáveis, normais. Por que a neurose com filhos autistas? Não é mais simples oferecer-lhes um local para que possam exercer esse direito? Não podemos deixar que o preconceito que gira em torno da sexualidade dirija nossas ações, sexualidade é tão natural e humano quanto fazer xixi ou cocô, comer, beber ou dormir...


Perdoem a extensão, mas não daria para resumir. Sim, tenho um filho autista de quase dez anos, que tem ereções, que fala sobre isso, que tem curiosidades. Tratamos isso naturalmente, como tratamos uma prisão de ventre, uma disenteria ou uma dor de dente. Não há mistérios sobre isso, a sexualidade existe desde o primeiro homem e a primeira mulher. Coragem, meninas, enfrentem o problemas de frente, nem sempre vão poder contar com os maridos para essas coisas, homens não têm jeito pra isso. Homens empurram problemas com a barriga, mulheres resolvem.

Mariluce Caetano, espero ter colaborado com a sua pesquisa. Se precisar de detalhes, peça, estou sempre disponível, na idade a que cheguei já não perco muito tempo com minha própria sexualidade.




PARTE II

Vou teorizar um pouco sobre libido, sob o ponto de vista de quem primeiro criou esse termo, Sigmund Freud e a Psicanálise. Antes explico os instintos básicos do ser humano. Instintos são energias naturais, dons que não precisam ser treinados para que sejam executados, que fazem parte da natureza animal. Temos os seguintes instintos: o sexual (serve para a perpetuação da espécie), o de luta ou fuga (que nos prepara para lutar ou fugir diante de um perigo), de proteção da prole (que nos impele a salvar antes nossos filhos, para perpetuar nosso dna), ´de nutrição (que engloba a alimentação e a evacuação) e o gregário (que nos faz andar em bandos, para melhor proteção). Instintos são fontes de energia, são eles que nos preservam vivos e ativos. Quando um deles nos falta, ficamos incompletos, diferentes, indefesos. Pense no autismo: falta o instinto gregário, o que os torna indefesos...
Pois bem: todas as atividades que fazemos "roubam" energia dos instintos, porque não têm energia própria. Instintos são verdadeiras usinas energéticas. Quando educamos uma criança, seja em casa ou na escola, estamos violentando a natureza dela. Não é da natureza humana, por exemplo, aprender a ler ou escrever, nossos antepassados não faziam isso e não é instintivo. Se deixar um menino e uma menina pequenos numa ilha deserta (como em Lagoa Azul), eles vão crescer, transar, ter filhos, mas não vão ler ou escrever. Quando digo isso em palestras as professoras arregalam os olhos, porque elas têm a fantasia de que as crianças as veem como fadas bondosas, mas na verdade elas estão violentando uma natureza. Para promover o aprendizado, o organismo tira energia de um instinto, geralmente do mais forte deles, o sexual. repare que, à medida que a criança avança na escola, a sexualidade decresce e as crianças entram na fase que chamamos de latência. E depois que aprendem o básico a sexualidade volta, na adolescência. A essa energia vital Freud deu o nome de libido, que é palavra feminina mesmo que termine com 'o'.
A libido pode ser gasta não apenas com atos sexuais, mas com ações diversas, como esporte, arte, dança, leitura, escrita, aprendizado. O tempo gasto ao computador usa energia da libido e reduz a necessidade de atos sexuais, sejam a dois ou a um. Assim com o trabalho, o lazer, o tempo que passamos em família. Quanto menos atividades físicas e mentais e quanto maior a indiferença de uma criança para o aprendizado, maior a libido represada. A soma da energia é sempre constante, tem que ser gasta de uma maneira ou de outra, sob o risco de ficarmos doentes, especialmente psiquicamente.
Acostumamo-nos a colocar crianças autistas em terapias passivas, e não em atividades físicas. A energia sexual deles é provavelmente mais acentuada, porque a energia de outros instintos é mais fraca. Lembre que a libido é a soma das energias de todos os instintos, então se falta um instinto, a energia é maior em outro. Pense numa religiosa ou num soldado numa guerra, que têm que potencializar os instintos ligados à luta ou fuga, à sobrevivência, ao bando, à proteção: neles, o instinto sexual dá um tempo, porque a energia é potencializada para o necessário à sobrevivência imediata, de si mesmo e dos seus.
Concluindo para o momento: se a prontidão para o aprendizado é menor, se não favorecemos atividades físicas, e se tentamos reduzir o gasto da energia sexual, em algum lugar ela vai explodir. Não é possível armazenar energia, ela está sempre fluindo. A tentativa de represar energia provoca a histeria, que era comum em mulheres antes da liberação sexual e que tem esse nome justamente porque, em grego, 'hister' significa útero. Talvez agora você compreenda melhor as explosões histéricas do seu filho.
Por isso, psicólogo, sempre recomendo aos pais: quando seu filho chegar à idade do diagnóstico final, por volta dos 8 anos, quando o sistema nervoso central está maduro e o organismo começa a preparar as mudanças para a puberdade, livre seu filho de terapias psicológicas e consulte um professor de educação física, um mestre de artes marciais. Ele precisa gastar a libido, que no consultório psicológico só faz aumentar.
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