AUTISMO EM GOIÂNIA

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PALAVRAS DA FONOAUDIÓLOGA E MÃE MARILUCE

Eu não vou mudar meu filho porque é autista; eu prefiro mudar o mundo, e fazer um mundo melhor; pois é mais fácil meu filho entender o mundo, do que o mundo entender meu filho.

ESTOU SEMPRE NA BUSCA DE CONHECIMENTOS PARA AJUDAR MEU FILHO E PACIENTES. NÃO SOU ADEPTA DE NENHUM MÉTODO ESPECÍFICO, POIS PREFIRO ACREDITAR NOS SINAIS QUE CADA CRIANÇA DEMONSTRA. O MAIS IMPORTANTE É DEIXÁ-LOS SEREM CRIANÇAS, ACEITAR E AMAR O JEITO DIFERENTE DE SER DE CADA UM, POIS AFINAL; CADA CASO É UM CASO E PRECISAMOS RESPEITAR ESSAS DIFERENÇAS. COMPARAÇÃO? NÃO FAÇO NENHUMA. ISSO É SOFRIMENTO. MEU FILHO É ÚNICO, ASSIM COMO CADA PACIENTE.
SEMPRE REPASSO PARA OS PAIS - INFORMAÇÕES, ESTRATÉGIAS, ACOMODAÇÕES E PEÇO GENTILMENTE QUE "ESTUDEM" E NÃO FIQUEM SE LUDIBRIANDO COM "ESTÓRIAS" FANTASIOSAS DA INTERNET. PREFIRO VIVER O DIA APÓS DIA COM A CERTEZA DE QUE FAÇO O MELHOR PARA MEU FILHO E PACIENTES E QUE POSSO CONTAR COM OS MELHORES TERAPEUTAS - OS PAIS.

Por Mariluce Caetano Barbosa




COMO DEVO LIDAR COM MEU FILHO AUTISTA?

Comece por você, se reeduque, pois daqui pra frente seu mundo será totalmente diferente de tudo o que conheceu até agora. Se reeducar quer dizer: fale pouco, frases curtas e claras; aprenda a gostar de musicas que antes não ouviria; aprenda a ceder, sem se entregar; esqueça os preconceitos, seus ou dos outros, transcenda a coisas tão pequenas. Aprenda a ouvir sem que seja necessário palavras; aprenda a dar carinho sem esperar reciprocidade; aprenda a enxergar beleza onde ninguém vê coisa alguma; aprenda a valorizar os mínimos gestos. Aprenda a ser tradutora desse mundo tão caótico para ele, e você também terá de aprender a traduzir sentimentos, um exemplo disso: "nossa, meu filho tá tão agressivo", tradução: ele se sente frustrado e não sabe lidar com isso, ou está triste, ou apenas não sabe te dizer que ele não quer mais te ver chorando por ele.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

APOSTILA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA RESPONSÁVEL Francisco J. LIMA CONTRIBUIÇÃO Lívia C. GUEDES

Introdução

                              
                               A defesa da Inclusão na sociedade não deve se restringir a apenas um segmento, porém, a todos os grupos vulneráveis. E essa defesa deve ser feita por todos e para todos.
                               Em auxílio dessa defesa, existem vários documentos nos quais estão explicitados as demandas e direitos dos grupos vulneráveis.
                               Não obstante, ainda hoje nos deparamos com uma realidade insustentável de exclusão e marginalização alimentada pela falta de compreensão da sociedade em relação à defesa da pessoa humana, por exemplo, quando se trata da pessoa com deficiência.
                               Cientes dessa realidade, o presente material  foi confeccionado para fins educacionais,fazendo um resgate histórico da exclusão social (onde se verifica a trajetória do pensamento humano e como se vê a pessoa com deficiência), até o paradigma atual, de Inclusão Social.
                               Alguns conceitos como diversidade, normalidade, autonomia, independência e empoderamento darão ao leitor a dimensão da lógica inclusiva e o ajudarão a compor, no contexto escolar, uma postura de respeito às diferenças pela crença na potencialidade de cada um de seus membros.
                               As vantagens de uma escola inclusiva, como extrato da sociedade maior, atingem todo o universo escolar e emanam para a sociedade, gerando mudanças e transformações verdadeiramente positivas para a prática educativa e para a formação do sujeito social.
                               Com vistas a promover e subsidiar uma escola inclusiva, o presente material traz, ainda, algumas orientações para se perceber as potencialidades dos alunos e de como tratar a pessoa com deficiência.
                               A estruturação do presente material, a seguir apresentada,  tem como objetivo propiciar ao interessado na educação inclusiva acesso aos conceitos de inclusão, bem como introduzi-lo  na inclusão educacional das pessoas com deficiência por meio de extratos de textos e/ou textos completos de apoio, os quais advêm das maiores referências na área de  inclusão educacional em nosso país.
                               Assim, este material servirá  como sustentação para capacitação dos docentes e demais atores educacionais, acompanhados pelos promotores dessa capacitação e mesmo na ausência destes.
                               Isso significa que os textos aqui incluídos servirão também de material de referência para todos que fizerem uso da presente apostila.          

                Então, está assim dividida: introdução,  referencial histórico, fundamentação conceitual,  questões em cheklist, bibliografia recomendada e textos de apoio.


Inclusão Social - Visão Histórica


                “Pode-se dizer que em um determinado momento histórico tornou-se patente para as sociedades contemporâneas a importância de se lutar pela integração social de todos os seus membros. As teorias sociais que discutem esta problemática remetem ao período inicial da década de 60.
                               “Naquela época surgiu a constatação de que a sociedade não atuava de uma forma harmônica e integradora. Existiam segmentos sociais que eram maciçamente excluídos: os negros, os latinos, os pobres, aqueles que não tinham a mesma cultura das camadas dominantes, os, então,  homossexuais e os loucos, os deficientes, etc.
                               “Esta exclusão social trazia como decorrência maior que pessoas diferentes ou deficientes não tivessem acesso às mesmas benfeitorias das chamadas pessoas normais”.

                Consoante Sassaki (2003), a sociedade passou por fases conceituais que possibilitaram conquistas até que chegássemos à atual proposta de Inclusão Social. A primeira fase, correspondendo à Exclusão Social, não oferecia programas voltados para atender às peculiaridades das pessoas com “deficiência”, pelo contrário, bania-as do convívio social e desconsiderava-lhes suas potencialidades e direitos básicos.
A fase seguinte, Segregação Social, se deu com o surgimento de programações fechadas em que apenas pessoas com “deficiência” participavam de eventos oferecidos no interior de instituições especializadas. Já na terceira fase, Integração Social, só participariam de eventos comunitários aquelas pessoas com “deficiência” que estivessem preparadas para a inserção social, isto é, aquelas que, por conta própria, se adequassem às exigências da sociedade, sem que esta, contudo, fizesse um movimento de autotransformação para acolher aquelas pessoas.
Hoje, com a Inclusão Social, assume-se que a sociedade deve e é capaz de transformar-se para receber o indivíduo com deficiência e viabilizar a convivência de pessoas com deficiência ou não, em conjunto, participando ativamente de todo tipo de atividades (inclusive as laborais), nos locais em que elas se derem, sem prejuízo de seus direitos de cidadão e sem paternalismos (LIMA eti. alli:2004, p.07-08).
                               Resumidamente, a Inclusão Social é a capacidade de a sociedade mudar-se para receber, entender, respeitar e atender às necessidades/peculiaridades de todos os seus membros, independentemente de diferenças sociais, econômicas, de gênero, origem (geográfica, étnica, lingüística, religiosa, etc.) ou de quaisquer outras diferenças de aparência (estética), de “descapacidade” (limitação sensorial, mental, cerebral e física) ou de opção sexual etc. (LIMA).

Uma vez que incluir significa trazer para dentro, promover a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade significa, pois, trazê-las para dentro da convivência social, permitindo que participem ativamente de sua construção ao mesmo tempo em que se constroem como pessoas.
               
                               A Ideologia da Inclusão aprofunda a crítica da ideologia da Prevenção e da Segregação. Primeiramente, ela não acredita nos rótulos e etiquetagens propostos pela Ideologia da Segregação. Da mesma forma, ela não acredita também que o sujeito necessite de um ambiente educativo diferente ou de formas prévias de procedimentos educativos (Ideologia da Prevenção).
                               Para os adeptos da Inclusão o importante é que as condições de entrada dos alunos com necessidades educacionais especiais sejam as mesmas daquelas apresentadas pelos chamados sujeitos normais.
                               A Ideologia da Inclusão acredita que o aluno com deficiência ou com distúrbio de aprendizagem deva ser trabalhado no ensino regular, da mesma maneira que toda criança. 
                               Para a Ideologia da Inclusão o professor deve ser trabalhado no rompimento dos seus próprios processos estigmatizadores. Ele deve lutar para que a criança seja vista antes do rótulo, assim como batalhar para que ela seja bem recebida pelo grupo. (MRECH, USP).

Então, podemos dizer que a Inclusão se define por:

A Inclusão é a participação de todos pelo todo, com todos;
A inclusão não é algo do que se fala, mas algo que se vive, intensa e conscientemente, contínua e tenazmente, concreta e francamente;
A inclusão é uma atitude de vida; uma expressão de sociedade e cidadania; uma compreensão de que todos os seres humanos são humanos sem distinção (Lima).
Em suma, sob a égide da Inclusão, os limites de um indivíduo com deficiência estão na sociedade e não na deficiência dele.


Diversidade humana


                A diversidade humana é um fato numa sociedade plural. Compõem essa diversidade todos os segmentos populacionais representados por etnias, raças, nacionalidades, naturalidades, culturas, regiões sócio-econômicas, distúrbios orgânicos, histórico penitenciário, deficiências (físicas, sensoriais, intelectuais, múltiplas, psiquiátricas) etc.
Uma vez que todos somos diferentes, só uma coisa se nos apresenta como elo de igualdade entre nós: a própria diferença. Assim, é o sermos diferentes que nos torna iguais. Logo, ser diferente é normal.
Não é porque se é diferente que se é "menor", que se sabe menos; que se é menos capaz; que se tem menos direito; que se é anormal; que se é menos humano, gente.
Ser diferente é Ser, e Ser é fazer parte, mesmo quando o outro não quer aceitar que isso é fato. Ser não está subordinado ao desejo, crença ou vontade de alguém “normal” (são).
Diversidade e normalidade não são termos únicos da teoria da Inclusão, e trazem consigo nuances, significados de outros saberes, o que leva muitos a se confundirem.
Ser normal, enquanto princípio da inclusão, implica, pois, ser digno de ser agente de sua história; digno de ser agente do exercício de seus direitos e deveres; digno de ser agente de seu destino; digno de pertencer à humanidade, sem o pejo de ser receptáculo ou paciente do tratamento alheio, da tutela do outro, daquele que pensa saber mais e melhor do que você.
De um lado, o normal pode ser entendido como aquele que está dentro da norma, dentro do que é esperado, aquele que não se desvia das normas etc. De outro, anormal é aquele que foge aos padrões, que desvia da norma que age, que se comporta ou se apresenta avesso (contrário) a essa norma.
A Normalidade que é entendida como aquilo que está dentro da norma, dentro do que é esperado, aquilo que não se desvia das normas etc., é mutável como o vento, ora sopra para um lado, ora sopra para outro, consoante a vontade de uma pessoa ou grupo, de acordo com a época, os poderes, as crenças políticas e religiosas etc.
O Normal, na Inclusão, não pode ser confundido com patológico, tão pouco. Não há de se negar a deficiência, porém aceitar que ela é tão normal na composição da humanidade, quanto é a diferenciação de gênero, de cor dos olhos ou da pele. Ser deficiente é normal, só isso – “Simples assim!”.
É através da aceitação da diversidade humana que a sociedade se transforma para respeitar, acolher e atender às necessidades de todos os seus membros, num contínuo fazendo.
Assim, a sociedade reconhece que não somos todos iguais. Pelo contrário, todos nós somos diferentes e a única igualdade entre nós, ou o que nos torna a todos iguais, é o próprio fato de todos nós sermos diferentes.

                               Quando se fala em integração social, muitas vezes os teóricos deixam de perceber que integrar socialmente na escola é atingir uma meta menor, dentro de um contexto social bem mais abrangente.
                               Isto porque uma sociedade verdadeiramente integrada é uma sociedade onde há participação de todos, e não de apenas alguns. Onde se vive a diversidade em nosso dia-a-dia, sem ela ser disruptiva e destruidora. Neste sentido, acreditamos na importância de se tentar alcançar a "Sociedade Inclusiva". Uma sociedade onde ninguém seja excluído. Uma sociedade onde haja um lugar para todos.
                               Gostaríamos de frisar a importância de se lutar, na escola, pela Inclusão de todos os alunos. Para que seja finalmente possível ser realizada uma aposta no futuro, onde os alunos não sejam mais separados em blocos, onde caiam todas as barreiras sociais. Para que possamos, todos, de mãos dadas, adentrar neste novo século, para viver juntos, a experiência máxima da Educação, proposta pela UNESCO, que é:
               
                1) Aprender a conhecer;
                2) Aprender a fazer;
                3) Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros;
                4) Aprender a ser.


Ensino e Preconceito


                Como vimos, não há inclusão se não houver transformação e não há inclusão plena se a transformação não for contínua, consciente e concreta;
                Assim, a Inclusão não é uma mera teoria da moda; é um caminho para o sempre, para o infinito, para o eterno transformar do aqui e agora;
Inclusão significa respeito. Respeito ao direito do aluno em ter condições de igualdade de acesso ao conhecimento com qualidade, na forma que esse aluno necessita à medida que suas necessidades aparecem;
Inclusão significa respeito ao modo e ao tempo de aprendizagem do aluno;
Inclusão significa respeito ao direito à educação com qualidade a todos os alunos (inclusive aos com deficiência), nas escolas perto de suas casas, juntamente com os demais alunos e agentes do ato educativo. Isto é, com todos os personagens do entorno do aluno, incluindo, pessoal de apoio das escolas, amiguinhos, sua família e namorada ou namorado (lima);
O aluno com deficiência pode não aprender, não por sua incapacidade de aprender, mas pela incapacidade de a escola o ensinar, respeitando o direito ao modo e tempo de aprendizagem individual do aluno;
                No entanto, ainda hoje verifica-se o preconceito. Sim. O preconceito para com os alunos com deficiência e a resistência em educá-los é atual e internacional;
Quebrar esse preconceito é reconhecermos no outro aquilo que nem sempre está aparente, mas que está lá, pronto para se nos mostrar, se quisermos ver.


Ensino e Inclusão

                Nos parágrafos a seguir, apresentaremos algumas das características que permeiam a escola inclusiva, trazendo orientações de como devem ser estruturados o currículo, a avaliação e a atuação de pais, alunos e professores para a consecução do sucesso escolar.
Antes, contudo, lembremos que não devemos produzir incapacidades nas pessoas com deficiência: elas apenas apresentam limites e estes são superáveis (Lima).

Sua Escola é Inclusiva?
Em uma escola inclusiva, o currículo deve ser bastante abrangente, proporcionando oportunidades para todo aluno explorar e desenvolver suas potencialidades;
               Para Mitller (2003), um currículo escolar acessível é aquele que oferece para a totalidade de alunos, “sem exceção, oportunidades para participar totalmente das atividades e para experenciar o sucesso, sendo um fundamento essencial da inclusão” (MITLLER, 2003, p. 158).
Por sua vez, Prieto (2002) contribui para essa temática, defendendo que:

“(...) o currículo deve ter como objetivo primordial a responsabilidade pela aprendizagem e pelo desenvolvimento de todos os alunos, prevendo formas de acompanhamento do processo escolar que possibilitem respeitar as diversas expressões do potencial de cada aluno. No entendimento da autora, para que isso aconteça, o sistema escolar necessita ter autonomia para organizar um currículo que respeite também as características da comunidade na qual ele está inserido” (PRIETO:2002, p.).


Os alunos, em colaboração com o professor, devem ser estimulados a identificar os critérios pelos quais serão avaliados.
Na escola inclusiva, a avaliação não pode constituir-se como um mecanismo final, rotular de aprovação ou reprovação. Numa escola inclusiva, a avaliação, constitui-se como um instrumento de intermediação do conteúdo apresentado para uma via de aquisição do conhecimento (um meio, e não um fim);
A avaliação dos alunos deve advir dos professores, dos colegas, da família, de outros membros da escola e da auto-reflexão;
Os instrumentos de avaliação devem levar em conta as habilidades para avaliar o trabalho do aluno;
Os boletins para pais e alunos devem trazer sugestões para dar continuidade ao trabalho em casa, na escola e na comunidade, tanto para as potencialidades quanto para os pontos fracos dos alunos;
O programa da escola deve alternar a exploração não-estruturada dos interesses do aluno com o desenvolvimento intencional da habilidade. Tanto o conhecimento geral quanto a criatividade devem ser estimulados;
Deve-se permitir aos alunos que desenvolvam habilidades de aprendizagem autônoma através da iniciação e da conclusão de projetos de sua própria escolha;
Os talentos e os interesses individuais dos alunos devem ser identificados, estimulados e alimentados.
As lições em sala de aula devem apresentar atividades que se estendam desde a sala de aula até a casa e a comunidade;
Os pais e os professores devem trabalhar como parceiros educacionais. Os pais devem ensinar as habilidades sociais em casa e também assumir um interesse ativo na escolaridade de seus filhos, enquanto no ambiente escolar, coordenadores, diretores, alunos e demais membros da escola devem fazer o mesmo, para o melhor desenvolvimento de todos.


Abordagens para se perceber as Potencialidades dos Alunos


             Enriqueça o ambiente de sua sala de aula com objetos de manipulação, material de arte, instrumentos musicais, atividades simples de matemática, livros e material de confecção de livros e outros itens que envolvam todas as habilidades ou inteligências. Proporcione aos alunos tempo livre e observe as escolhas que fazem ou que mais gostam de fazer;

             Converse com os pais para conhecer os interesses e as potencialidades de seu aluno. Informe-se sobre o que os seus alunos gostam de fazer fora da escola como uma maneira de identificar interesses e talentos;

             Entreviste professores especializados, como profissionais de educação física, arte, música, biblioteconomia e tecnologia para saber se eles identificaram alunos com grande interesse ou potencialidades evidentes em seus programas;

             Proporcione aos alunos oportunidades de aprendizagem autodirigidas e trabalhos de projeto independentes para que possam desenvolver seus interesses. Observe suas escolhas;

             Pesquise como melhorar as aulas de sua turma com movimento, música, artes visuais, aprendizagem cooperativa e auto-reflexão. Observe as reações e o envolvimento de seus alunos;

             Os talentos e os interesses individuais dos alunos devem ser identificados, estimulados e alimentados;

             Ofereça aos seus alunos, dentro e fora da escola, orientação ou oportunidades de aprendizagem para aprofundar seu conhecimento e habilidades;

             Se possível, filme ou fotografe seus alunos em atividade em sala de aula. Mais tarde, observe os filmes e fotos sozinho ou com outro colega para identificar as diversas potencialidades deles;

             Através das observações do cenário escolar, o professor facilitador busca identificar as preferências e potencialidades das pessoas com deficiência, destacando as situações de sucesso por elas vivenciadas e, juntamente com a família e a escola, analisa e cria estratégias educacionais que facilitem a aprendizagem e garantam uma maior autonomia a estas pessoas.


Abordagens para evitar Incapacidades


             As pessoas com deficiência são competentes para aprender, e a melhoria na qualidade desta aprendizagem depende do trabalho interdisciplinar e cooperativo dos contextos em que elas vivem (familiar, escolar e social);

             Não se busca modelos específicos para a educação das pessoas com deficiência, mas sim mudanças de paradigmas no contexto escolar e social, de forma que se reconheça e valorize a diversidade humana;

             É preciso dar ênfase nas possibilidades das pessoas com deficiência, e não apontar suas dificuldades;

             Quando se promove a Inclusão, não se “joga” uma criança na sala de aula, nem a deixa sob a custódia de um estagiário ou babá, nessa sala ou fora dela. Quando se promove a Inclusão, ensina-se a todos os alunos sem distinção!;

             Quando se promove a Inclusão, não se desconsidera a deficiência do aluno, porém, não se considera que essa deficiência implique em incapacidade;

             Fazer a Inclusão é buscar através de um trabalho cooperativo com as famílias e a escola, estratégias educacionais que contribuam para uma melhora das funções cognitivas, do desenvolvimento emocional e do desenvolvimento psicomotor das pessoas com deficiência, favorecendo a autonomia destas pessoas, e conseqüente melhoria na qualidade de vida;

             Lembre-se de que os deficientes têm a mesma necessidade que você de amar e ser amado, de aprender, partilhar, crescer e experimentar, no mesmo mundo em que você vive. Eles não têm um mundo separado. Existe apenas um mundo;

             Lembre-se de que os deficientes têm o mesmo direito que você de fraquejar, falhar, sofrer, desacreditar, chorar, proferir impropérios, se desesperar. Protegê-los dessas experiências é evitar que vivam;

             Lembre-se de que somente aqueles que são deficientes podem lhe dizer o que é possível para eles. Nós que os amamos devemos ser observadores atentos e sintonizados;

             Lembre-se de que cada deficiente é diferente dos outros e que, independente do rótulo que lhe seja imposto para a conveniência de outras pessoas, ele ainda assim é uma pessoa "única". Não existem duas crianças com deficiência mental que sejam iguais ou dois adultos surdos que respondam e reajam da mesma forma;

             Lembre-se de que as pessoas com deficiências, independente do grau destas, têm um potencial ilimitado para se tornar não o que nós queremos que sejam, mas o que elas desejam;

             Lembre-se de que as pessoas com deficiência devem encontrar sua própria maneira de fazer as coisas - impor-lhes nossos padrões (ou os da cultura) é irreal e até mesmo destrutivo;

             Lembre-se de que as pessoas com deficiência também precisam do mundo e das outras pessoas para que possam aprender. O aprendizado não acontece apenas no ambiente protetor do lar ou em uma sala de aula, como muitas pessoas acreditam. O mundo é uma escola, e todas as pessoas são professores. Não existem experiências insignificantes;

             Lembre-se de que todas as pessoas com deficiência têm direito à honestidade em relação a si mesmas, a você e à sua condição. Ser desonesto com elas é o pior serviço que alguém pode lhes prestar. A honestidade constitui a única base sólida sobre a qual qualquer tipo de crescimento pode ocorrer.


Questões para a implementação da Escola Inclusiva


             Em sua escola, há equipamentos de apoio para estudantes com deficiência visual ou com baixa visão?

             Há na instituição plano de aquisição gradual de acervo bibliográfico dos conteúdos básicos em Braille?

             Sua escola dispõe de computadores com scanner e síntese de voz, gravador e fotocopiadora que amplie textos, software de ampliação de tela, equipamento para ampliação de textos para atendimento a aluno com baixa visão, lupas e réguas de leitura?

             Sua escola possui linha Braille, máquina de datilografia Braille e impressora Braille para atender às necessidades dos alunos ou trabalhadores com deficiência visual?

             Sua escola adota flexibilidade na correção das provas escritas, valorizando o conteúdo semântico?

             Sua escola propicia, sempre que necessário, intérprete de língua de sinais/ língua portuguesa, especialmente quando da realização e revisão de provas, complementando a avaliação expressa em texto escrito ou quando este não tenha expressado o real conhecimento do aluno?

             Sua escola estimula o aprendizado da língua portuguesa, principalmente na modalidade escrita, para o uso de vocabulário pertinente às matérias do curso em que o estudante surdo estiver matriculado?

             Sua escola proporciona (aos professores, alunos ou trabalhadores) o acesso a literatura e informações sobre a especificidade lingüística da pessoa surda ou com deficiência auditiva?

             Sua escola proporciona o ensino e o uso da língua de sinais a todos os alunos e, em especial, aos alunos surdos?

             Sua escola dispõe de adequações de acessibilidade física, conforme as necessidades dos alunos com dificuldade de locomoção, em particular, daqueles que fazem uso de cadeira de rodas?

             Sua escola propicia adequações de rotinas de ensino que contemplem as necessidades das pessoas com deficiência intelectual)?

             Sua escola investiga junto aos seus alunos e funcionários que necessidades eles precisam ter correspondidas e de que maneira satisfazê-las?






             Já é mais do que tarde para que deixemos de ser atores passivos dessa sociedade de exclusão que marginaliza pessoas que só querem (e devem) ter respeitado o seu direito de serem pessoas humanas;

             É hora de por fim em nossa passividade perante os que alegam, com seus discursos distorcidos, que “a inclusão tem de ser feita com vagar; com prudência; sem leviandade...” Submetermo-nos a esses discursos é sermos cúmplices da exclusão de centenas de milhares de pessoas, por conta de sua deficiência e coniventes com a exclusão de um sem número de outras pessoas, crianças, jovens e adultos que sequer aparecem nesta sociedade, defendida pelos que dessa forma discursam;

             Para que tenhamos uma verdadeira diversidade na escola, é necessário que nos apartemos da visão de incapacidade do indivíduo com deficiência, da visão de que um dado seu limite, enquanto sua característica física ou mesmo genética, resume todo o seu Ser. Ainda teimamos em ver nossos alunos, filhos e mesmo pacientes, como seres que “precisam de”, quando deveríamos vê-los como pessoas de quem “precisamos para”.

Sugestões Bibliográficas

BRASIL. Decreto 5.296/2004.
BUSCAGLIA, Leo. Os deficientes e seus pais.
Declaração de Salamanca – 1994.
Cartilha do MEC.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo, Ed. Moderna, 2003.
MITLER, ???
PRIETO, ???
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos.
_______________. Inclusão no lazer e turismo.
WERNECK, Claudia. Ninguém mais vai ser bonzinho na Sociedade Inclusiva.
_______________. Sociedade Inclusiva: Quem cabe no seu TODOS?
MRECH, Leny Magalhães. A Formação dos Docentes: Quais Competências para o Ensino Individualizado e a Integração Escolar da Diversidade? – Palestra ministrada na USP, em ???.

inclusão só se faz, fazendo: na prática!
Olá, meus caros colegas:

Faz muito tempo que não escrevo, ou participo das listas. Entretanto, nunca deixei de pensar em vocês e em nossos amigos com deficiência, nos meus momentos de contemplação.
Hoje volto, mas com um escrito antigo. Talvez ele possa servir aos participantes mais recentes deste espação.
Trata-se de um texto que há alguns anos, preparei na forma de uma apostila para uma disciplina sobre educação inclusiva, a qual ocorreria em uma cidade do interior pernambucano. O material foi feito com a participação de minha, então aluna, hoje colega de trabalho, Lívia Guedes.
Não encontrei o texto final do trabalho, mas de meus arquivos antigos tirei o extrato que hoje partilho com vocês.
Penso que é um bom pedido para os que desejam estudar e praticar a inclusão educacional.
Afinal, inclusão só se faz, fazendo: na prática!
Cordialmente,
Francisco Lima
Observação:
Este texto é uma versão preliminar da apostila de educação inclusiva, logo as citações e formatação finais não estão definitivamente terminadas. É, pois, um material para consulta, antes que para publicação.
Bom proveito,
Francisco Lima



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