AUTISMO EM GOIÂNIA

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PALAVRAS DA FONOAUDIÓLOGA E MÃE MARILUCE

Eu não vou mudar meu filho porque é autista; eu prefiro mudar o mundo, e fazer um mundo melhor; pois é mais fácil meu filho entender o mundo, do que o mundo entender meu filho.

ESTOU SEMPRE NA BUSCA DE CONHECIMENTOS PARA AJUDAR MEU FILHO E PACIENTES. NÃO SOU ADEPTA DE NENHUM MÉTODO ESPECÍFICO, POIS PREFIRO ACREDITAR NOS SINAIS QUE CADA CRIANÇA DEMONSTRA. O MAIS IMPORTANTE É DEIXÁ-LOS SEREM CRIANÇAS, ACEITAR E AMAR O JEITO DIFERENTE DE SER DE CADA UM, POIS AFINAL; CADA CASO É UM CASO E PRECISAMOS RESPEITAR ESSAS DIFERENÇAS. COMPARAÇÃO? NÃO FAÇO NENHUMA. ISSO É SOFRIMENTO. MEU FILHO É ÚNICO, ASSIM COMO CADA PACIENTE.
SEMPRE REPASSO PARA OS PAIS - INFORMAÇÕES, ESTRATÉGIAS, ACOMODAÇÕES E PEÇO GENTILMENTE QUE "ESTUDEM" E NÃO FIQUEM SE LUDIBRIANDO COM "ESTÓRIAS" FANTASIOSAS DA INTERNET. PREFIRO VIVER O DIA APÓS DIA COM A CERTEZA DE QUE FAÇO O MELHOR PARA MEU FILHO E PACIENTES E QUE POSSO CONTAR COM OS MELHORES TERAPEUTAS - OS PAIS.

Por Mariluce Caetano Barbosa




COMO DEVO LIDAR COM MEU FILHO AUTISTA?

Comece por você, se reeduque, pois daqui pra frente seu mundo será totalmente diferente de tudo o que conheceu até agora. Se reeducar quer dizer: fale pouco, frases curtas e claras; aprenda a gostar de musicas que antes não ouviria; aprenda a ceder, sem se entregar; esqueça os preconceitos, seus ou dos outros, transcenda a coisas tão pequenas. Aprenda a ouvir sem que seja necessário palavras; aprenda a dar carinho sem esperar reciprocidade; aprenda a enxergar beleza onde ninguém vê coisa alguma; aprenda a valorizar os mínimos gestos. Aprenda a ser tradutora desse mundo tão caótico para ele, e você também terá de aprender a traduzir sentimentos, um exemplo disso: "nossa, meu filho tá tão agressivo", tradução: ele se sente frustrado e não sabe lidar com isso, ou está triste, ou apenas não sabe te dizer que ele não quer mais te ver chorando por ele.

domingo, 25 de setembro de 2011

Método Tomatis


Nos últimos dias tenho estudado sobre o Método Tomatis. Achei um resumo que explica esse método novo de tratamento de autismo (e não só autismo) e como pode de fato ajudar crianças com deficiência de aprendizado ou qualquer transtorno de desenvolvimento.

1) Introdução
Antes de entrar na explicação de como funciona o tratamento, é importante conhecer alguns fundamentos sobre os quais a tecnologia foi desenvolvida no passado.

Um médico francês especialista em otorrinolaringologia, chamado Dr. Alfred Tomatis (1919-2001), foi o pioneiro a desenvolver técnicas auditivas que são usadas em todo mundo hoje para ajudar aqueles com dificuldades de desenvolvimento.

 Muitas das técnicas foram primeiramente criadas para ajudar pacientes que eram músicos e cantores com problemas vocais. Com o tempo, ao usar essas técnicas nos filhos dos seus pacientes músicos, Dr. Tomatis observou também avanços nas suas performances escolares, incluindo memória, foco e atenção, assim como postura, coordenação motora e equilíbrio, tornando-se assim o primeiro pesquisador a descobrir (por acidente!) a importância dos sons de alta frequência para promover atenção, alerta e criatividade.


AS LEIS TOMATIS
Primeira Lei: Ao examinar pacientes que sofriam de surdez decorrente de atividades profissionais por longa exposição a máquinas barulhentas ou outros motivos similares, ele observou que o efeito traumático nos ouvidos eram sempre acompanhados de alguma deficiência vocal. Teorizou que a audição defeituosa pudesse ser exatamente a causa da mudança na voz. Através de cuidadosa análise de audiogramas e de espectro sonoro (ondas da voz daqueles pacientes), ele conseguiu provar que aquelas frequências que não eram mais emitidas pelas cordas vocais (por isso a alteração na voz) eram exatamente as mesmas frequências que o ouvido defeituoso do paciente já não conseguia mais captar. Isso levou à primeira lei, que é simplesmente traduzida assim:


1ª Lei Tomatis: A voz só contém o que o ouvido pode ouvir.

Segunda Lei: Usando um ouvido eletrônico, Dr. Tomatis trabalhou para restaurar as frequências que estavam deficientes ou ausentes. Ao conseguir fazê-lo, o paciente conseguiu emití-las novamente. A segunda lei então é expressada assim:

2ª Lei Tomatis: Se for trazida à audição danificada a recuperação das frequências perdidas ou comprometidas, estas serão instantaneamente e inconscientemente restauradas na emissão vocal.
Terceira Lei: Esta lei enfatiza o efeito de longo prazo na voz quando as frequências auditivas são restauradas ao normal. A terceira lei é assim expressa:

3ª Lei Tomatis: Estímulo auditivo suficiente irá provocar uma melhora duradoura na habilidade de ouvir e consequentemente reproduzir o som.

Com essa base, e 45 anos de estudo e uma vida dedicada a isso, as principais idéias que servem para aplicação de sua teoria são:

a) O ouvido é o tradutor que converte as propriedades físicas do som e vibração em propriedades elétricas, sendo portanto uma “bateria” para o cérebro que recarrega o córtex com energia, particularmente em altas frequências;

b) Altas frequências têm propriedades revigorantes e energizantes no sistema nervoso;

c) Ouvir e escutar são ações distintas. A primeira é automática, passiva. Escutar requer motivação, desejo, intenção.

E chegamos à principal conclusão do estudo, a divisão das três zonas de audição e suas ações no sistema nervoso, de acordo com a frequência sonora:

TABELA I

ZONA Frequência Sonora Estímulo ao Indivíduo
Zona 1 0 a 750 Hz Estimula habilidades motoras, tonus muscular e noção do próprio corpo (Integração Sensorial)
Zona 2 500/750 a 4.000 Hz Estimula fala e Linguagem (ouvir e entender e se expressar e ser compreendido)
Zona 3 Acima de 4.000 Hz Energia, intuição, idéias, ideais, espiritualidade, criatividade e coesão auditiva.

Então, assim como empresas do mundo todo usaram o estudo de Santos Dumont para criar gigantes aviões comerciais, o Sistema de Audição Integrado usou esta base de estudo para criar seu método, que descrevo a seguir.

2) A Música do Sistema de Audição Integrado
A música de Mozart está entre as mais benéficas para uma mente alerta e corpo relaxado, por conta do conteúdo de notas de alta frequência. Canto gregoriano, tipicamente cantado por homens, é repleto de notas de baixa frequência, e tem seu efeito como na tabela acima.

São exemplos de músicas que, depois de passarem por um processo de filtragem (falarei sobe isso em breve), serão integradas, assim como diversas outras, ao processo Sistema de Audição.

Além disso, um complicado processo que eles chamam de “Gating” foi desenvolvido para exercitar o cérebro. Isso consiste em ampliar baixas frequências em um canal enquanto cortam altas frequências e fazer o oposto em outro canal, na mesma música. Esse processo passa de um canal para outro dentre os disponíveis na música, à medida que é tocada. (NOTA: Existe o termo “Gating” em engenharia de sonora, mas nada tem a ver. Estou falando de um tratamento especial à música, alterando e pulando estas alterações entre os canais à medida que a música é escutada).

O método de filtragem consiste em retirar algumas frequências da música. Os filtros mais comuns no tratamento são os de “Passagem alta”, que consistem em permitir a passagem de frequências acima do limite estabelecido. Por exemplo, aplicar um filtro de 1.000 Hz numa música vai criar uma versão em que só sons acima desta frequência serão ouvidos. Existem outros filtros, como o de passagem baixa, que é justamento o contrário e o misto, em que se limita a música num trecho de frequências filtradas.

A alteração das músicas através do Gating e da aplicação de Filtros, tendo em vista a Tabela I, é o ponto mais importante da criação tratamento.

3) O tratamento em si e Os Protocolos
Geralmente, nenhuma criança ou adulto apresenta um problema clínico isolado. Crianças, especialmente, apresentam uma mistura de sintomas em vez de uma claro e isolado quadro. Por exemplo, uma criança que não fala, muito além da idade de desenvolver a linguagem, poderá ter associados problemas de coordenação motora. Por este motivo, não pode haver protocolos que atinjam um só sistema.

O tratamento é dividido em Protocolos, que são aplicados aos pacientes em várias sessões, que variam em muitos casos. O procolo V, por exemplo, tem 60 sessões. Os seguintes protocolos são baseados em quase 20 anos de estudo em milhares de crianças, com diversos quadros:

a) Motor e sensorial;
b) Linguagem;
c) Concentração;
d) Performance Ótima (este somente para adolescentes e adultos);
e) Spectrum (É aqui que se pode tratar autismo).

a) Protocolo I: Motor e sensorial: Com ênfase em baixas frequências para estimuilar o sistema motor do corpo. Usado para crianças que apresentem alguns dos sintomas: equilíbrio fraco e problemas de coordenação, insegurança gravitacional, tonus muscular baixo (hipotonia), falta de noção de espaço, entre outros similares.

b) Protocolo II: Leitura, processamento auditivo, linguagem: Ênfase na zona de frequência média, que estimulam linguagem e fala e melhoram a interpretação de sons diferentes. Antes que se possa ler, a criança tem que saber quebrar o código: símbolo (letra) para som (fonética), e processar estes sons em ordem correta (sequenciamento auditivo). Além disso, tem que ser feito de forma calma e fluente, tendo em vista a velocidade de processamento.

c) Protocolo III: Concentração, atencão e foco: Há similaridades com o protocolo anterior, uma vez que usam as mesmas faixas de frequência. A aplicação das sessões é que muda. O uso de fone de ouvidos é essencial para o foco e atenção.

d) Protocolo IV: Perfomance Ótima: Enfatiza frequências altas e suas atuações positivas em centros de congnição e consciência própria. É voltado essencialmente a jovens e adultos para tratar e liberar sua criatividade.

e) Protocolo V: Especialmente criado pela combinação de alguns protocolos anteriores e desenvolvimento de outras técnicas. Atinge crianças com problemas de integração sensorial, planejamento motor, aquisição de linguagem e hipersensibilidade ao som – dificuldades comuns no espectro autístico e atrasos de desenvolvimento. Anos de aplicação clínica e pesquisa mostraram que trainamento auditivo para ambas alta e média frequências podem ser altamente positivas no tratamento de crianças no espectro. Este é o procotolo que contém mais sessões (60 no total), porque observaram que é necessário um programa maior para afetar essa população. Para melhores resultados, o tratamento pode ser repetido quantas vezes for desejado, observando: Pausa de duas semanas na sessão 30, depois da sessão 50 e antes de começar a repetir o protocolo.

O kit acompanha o aparelho acoplado a um iPod, já gravado com todasas músicas tratadas de acordo com o protocolo desejado acima. Qualquer um com treinamento – os pais em casa, as professoras numa escola, uma terapeuta em casa – pode aplicar as sessões. Repito, após o treinamento.

4) Notas Importantes


a) O kit – com o aparelho, as músicas tratadas, manuais entre outras coisas menos importantes no pacote – custa cerca de US$ 1.500,00, sem impostos de importação (chamamos de preço FOB). – Aparelho não vende no Brasil.

b) O kit também traz atividades que devem ser feitas no início de cada sessão, durante 15 ou 20 minutos;

c) Para o tempo pós sessão, é recomendada interação e atividades silenciosas, como jogar cartas, lego, bonecas, pintar/desenhar, blocos etc. Alguns gostam de alongamento, yoga. Atividades motoras são as melhores para as crianças;

d) De forma alguma mascar chiclete, falar alto, ver qualquer tipo de tela pequena (TV, Computador, video game, celular), ler ou fazer exercícios escolares. Essas atividades minam significativamente os benefícios da sessão;

e) Para maximizar a eficácia do tratamento, especialmente para crianças, deve-se restringir ou minimizar TV / Video games pela duração do programa. Crianças vão se beneficiar mais se puderem experimentar um equilíbrio entre atividades físicas e mentais;

f) O programa ajuda e tem impacto positivo comprovado nos quadros que citei anteriormente. Mas não terá impacto nos seguintes quadros: Tinnitus, Alzheimer, Demência, Síndrome de Tourette, transtorno bipolar, perda do nervo auditivo;

g) Enquanto a vasta maioria dos pacientes tem benefícios comprovados clinicamente, o método Tomatis não pode garantir cura de qualquer tipo.

É extremamente simples de operar e o treinamento em si não é proibitivo. É possível para o governo enviar um pequeno grupo de técnicos para treinamento e na volta, aplicar na rede pública.

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