AUTISMO EM GOIÂNIA

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PALAVRAS DA FONOAUDIÓLOGA E MÃE MARILUCE

Eu não vou mudar meu filho porque é autista; eu prefiro mudar o mundo, e fazer um mundo melhor; pois é mais fácil meu filho entender o mundo, do que o mundo entender meu filho.

ESTOU SEMPRE NA BUSCA DE CONHECIMENTOS PARA AJUDAR MEU FILHO E PACIENTES. NÃO SOU ADEPTA DE NENHUM MÉTODO ESPECÍFICO, POIS PREFIRO ACREDITAR NOS SINAIS QUE CADA CRIANÇA DEMONSTRA. O MAIS IMPORTANTE É DEIXÁ-LOS SEREM CRIANÇAS, ACEITAR E AMAR O JEITO DIFERENTE DE SER DE CADA UM, POIS AFINAL; CADA CASO É UM CASO E PRECISAMOS RESPEITAR ESSAS DIFERENÇAS. COMPARAÇÃO? NÃO FAÇO NENHUMA. ISSO É SOFRIMENTO. MEU FILHO É ÚNICO, ASSIM COMO CADA PACIENTE.
SEMPRE REPASSO PARA OS PAIS - INFORMAÇÕES, ESTRATÉGIAS, ACOMODAÇÕES E PEÇO GENTILMENTE QUE "ESTUDEM" E NÃO FIQUEM SE LUDIBRIANDO COM "ESTÓRIAS" FANTASIOSAS DA INTERNET. PREFIRO VIVER O DIA APÓS DIA COM A CERTEZA DE QUE FAÇO O MELHOR PARA MEU FILHO E PACIENTES E QUE POSSO CONTAR COM OS MELHORES TERAPEUTAS - OS PAIS.

Por Mariluce Caetano Barbosa




COMO DEVO LIDAR COM MEU FILHO AUTISTA?

Comece por você, se reeduque, pois daqui pra frente seu mundo será totalmente diferente de tudo o que conheceu até agora. Se reeducar quer dizer: fale pouco, frases curtas e claras; aprenda a gostar de musicas que antes não ouviria; aprenda a ceder, sem se entregar; esqueça os preconceitos, seus ou dos outros, transcenda a coisas tão pequenas. Aprenda a ouvir sem que seja necessário palavras; aprenda a dar carinho sem esperar reciprocidade; aprenda a enxergar beleza onde ninguém vê coisa alguma; aprenda a valorizar os mínimos gestos. Aprenda a ser tradutora desse mundo tão caótico para ele, e você também terá de aprender a traduzir sentimentos, um exemplo disso: "nossa, meu filho tá tão agressivo", tradução: ele se sente frustrado e não sabe lidar com isso, ou está triste, ou apenas não sabe te dizer que ele não quer mais te ver chorando por ele.

domingo, 4 de setembro de 2011

Interação sensorial


                                                                                                             Tradução e excerto: Andréa Simon
Pessoas com Autismo freqüentemente têm dificuldades sensoriais. Eles podem ter hiper ou hipoatividade sem a habilidade de integrar a ação ao sentido.
A integração social normalmente é feita por um terapeuta ocupacional ou fonoaudiólogo, com o objetivo de sensibilizar o autista e ajudá-lo a reconhecer as informações sensoriais. Por exemplo, se o autista tiver dificuldades com o sentido do toque, a terapia deve incluir vários materiais com diferentes texturas. Temple Grandin, que é autista, criou uma “Squeeze Machine” (máquina do aperto) com pressão profunda, “deep pressure”, para ajudá-la a tolerar o toque de outras pessoas.
A Doutora A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional, desenvolveu um programa de tratamento chamado “Sensory Integration Therapy” (terapia de integração sensorial), atualmente bastante usado com autistas nos Estados Unidos. A Dra. Ayres começou a trabalhar com indivíduos com dificuldade de aprendizagem e o método foi generalizado para todas as pessoas que tivessem dificuldades com integração sensorial.
A população normal desenvolve a integração sensorial naturalmente, brincando, movimentando-se naturalmente no ambiente, enquanto que as pessoas com disfunção de interação sensorial não conseguem processar as sensações relacionadas com suas atividades. Como conseqüência estes indivíduos não conseguem desenvolver e ajustar as respostas que o cérebro organiza. Terapeutas com treinamento em integração sensorial podem diagnosticar como o individuo está processando essa integração e desenvolver para ele um ambiente que lhe permita interagir com mais afetividade.
O terapeuta orienta a pessoa na escolha de atividades que ajudarão no desenvolvimento do cérebro. Uma vez que se inicia a terapia de integração sensorial as atividades a ela correlacionadas deveriam ser acompanhadas e compartilhadas no dia a dia pela família, pela escola e pelas outras pessoas que participem da vida daquele individuo.
Uma das propostas dessas atividades é organizar o que o individuo está recebendo de várias fontes sensoriais e facilitar o desenvolvimento de funções de interação “A habilidade de organizar as sensações vindas do corpo e para dar uma resposta adequada para elas, ajuda o cérebro a organizar outras funções” ([1]).



Algumas Atividades Recomendadas:

v  Brushing Therapy (terapia com escova)
Esta terapia usa uma escova pequena e macia para escovar as costas, braços, mãos, pernas e pés (não escove a barriga) do individuo com disfunção sensorial por 3 a 5 minutos. Essa operação deverá ser executada a cada 90 minutos ou de 2 a 2 horas. Esta técnica pode acalmar e, em alguns casos, alertar o sistema sensorial.
ATENÇÃO: Se a terapia da escova não for feita corretamente poderá ter um efeito negativo. Tanto a escova como o ato de escovar deverão ser apropriados para evitar efeitos prejudiciais.

v  Deep Pressure Therapy (terapia de pressão profunda)
Atividades que podem oferecer profunda pressão são: pular em uma cama elástica, “sanduíche” (colocar o individuo entre dois colchões), pular em uma grande bola de terapia, algumas atividades marciais, alguns exercícios de balé, pular, abraço bem forte, colete com pesos.

v  Dieta Sensorial
A “Dieta Sensorial” é baseada na idéia de que cada indivíduo necessita uma certa quantidade de atividades e sensações para ser efetivamente alerta, atento, adaptável e habilidoso. Cada indivíduo tem sua necessidade específica de requisitos nutricionais para desenvolver e manter um nível de funcionamento adequado de seu corpo e mente.
As atividades ajudam as pessoas com distorção na percepção sensorial e processamento dos sentimentos diminuindo o nível de excitação por algum tempo e podem também oferecer o aumento da concentração e da estimulação sensorial.

RECOMENDAÇÕES:

*      Reconhecer quando a pessoa está exibindo a necessidade de estimulação sensorial.
*      Evitar sobrecarregar - Use a reação do individuo para tomar as decisões sobre quando as atividades sensoriais devem ser feitas e quanto tempo que elas devem durar.
*      Implementar as atividades sensoriais no cotidiano (como parte das ações diárias).
*      Incorporar reforços dentro das atividades diárias da criança.
*      Usar técnicas de estímulo antes das tarefas cognitivas e de linguagem. O aumento de estímulo pode facilitar o desenvolvimento e ampliação da linguagem.
*      Providenciar atividades que produzam estimulação sensorial e que serão aplicadas quando a pessoa demonstrar a necessidade interna de concentração e estimulação dos sentidos para desempenhar uma atividade especifica.
*      Terminada a atividade de estímulo, substituí-la por uma atividade calma.
*      Providenciar uma área tranqüila que seja definida com limites e permita ao indivíduo trabalhar e ganhar reforços para seus sentidos.

v       Oral-Motor Stimulation (estimulação oral)
Bebês exploram o mundo colocando objetos na boca. Esta ação satisfaz a necessidade de estimulação oral que eles têm e dependerá da necessidade sensorial de cada criança.
Pessoas com disfunção motora oral necessitam usar a boca para muitos propósitos. Exemplo: adultos que têm a mania de mastigar a tampa da caneta.
Para aumentar a estimulação oral podem ser adotadas algumas atividades para acalmar e organizar o corpo e suas funções como, por exemplo, chupar, apitar, assobiar; assoprar bola de ping-pong ou algodão pela mesa, assoprar bolinha de sabão; tomar iogurte com polpa de frutas com canudo (que tenha dificuldade em chupar), por exemplo. Esse esforço acalma.
Outras atividades:
ü Assoprar, ajuda a desenvolver a respiração adequada importante para fala.
ü Mastigar ajuda a organizar o cérebro.
ü Mastigar ruidosamente comidas como pipoca, cenoura, aipo e outros vegetais crus, ajuda a alertar.
Se o individuo não responder bem às técnicas de intervenção sensorial suspenda as atividades.
A superestimulação pode acontecer causada por:
a) ambiente ou fatores fisiológicos como luz, barulho, temperatura, cheiro, toque, fome, doença etc.
b) pessoas (número de pessoas, atividades, movimento, pessoas específicas suas características como voz, tipo de interação).
c) demanda de tarefas, número grande de passos em tarefas, dificuldades para realizar determinadas ações, tédio com a atividade, número de atividades simultâneas, grau de abstração exigido pela tarefa.
É melhor se ter uma área para o individuo ficar sozinho. A idéia é que, com o tempo, a pessoa reconheça os sinais de agitação e que possa ir sozinha a esse lugar para se acalmar. No processo de aprender esta estratégia de se controlar a criança vai necessitar de atenção “prompting” de outras pessoas para ir a esta área.



Como uso estratégias sensoriais de estimulação

§ Na escola do meu filho tinha um quarto pequeno cheio de almofadas para a criança ter um canto só dele. Em casa eu tinha uma cabaninha cheia de almofadas, com matérias sensoriais como escova, “body sock” (um saco grande feito de tecido no qual a criança entra), lâmpada que girava com luzes diferentes.
§ Também tinha uma piscina de plástico cheia de bolas. O contato dessas bolas com o corpo dele - e ele sempre pulava muito nelas - o acalmava.  
§ A cama elástica eu deixo na sala e ele pula quando sente necessidade. Para fazer atividades escolares pula por três a cinco minutos e então, mais calmo, senta-se para fazer os deveres de casa. Também uso esta técnica pela manhã para ele se concentrar melhor e vestir a roupa.
§ Quando ele está fazendo atividades escolares eu ponho um apoio no colo dele (uma meia de homem grande cheia de arroz, por exemplo). O peso o ajuda a se concentrar melhor.  
§ O “Body sock” ele gosta de entrar, deixar o rosto de fora e ficar deitado na cama até dormir quando eu o tiro de dentro do saco. Também entra no body sock durante o dia quando precisa, com o corpo todo. O saco – “Body sock” acalma e pode ser feito com um tecido elástico, maleável, como o que é usado para fazer biquíni.
§ Na escola Luke usava uma espécie de colete quando necessitava mudar de uma atividade para outra sem se estressar, (como ir à aula de educação física musica, arte). O colete deve ser feito com um tecido resistente, como uma blusa sem mangas, aberto na frente e com bolsos grandes onde se coloca feijão, arroz ou areia para dar peso (que deve ser 10% do peso do individuo). O uso deve ser restrito para não perder o efeito.
§ Uso a escova à noite antes de dormir ou durante o dia para acalmá-lo.
§ Banho de banheira é um ótimo relaxante.
§ A piscina também é um excelente calmante se for usada com exercícios leves e tranqüilos.
§ Balançar no balanço ou rede também é muito bom para acalmar e para favorecer a concentração.
§ O sanduíche: ponho o Luke entre os travesseiros como um sanduíche e rolo a meia cheia de arroz pelo corpo dele fazendo pressão. Alguns pais fazem este sanduíche e se deitam sobre a criança. ATENÇÃO: a cabeça da criança deve ficar sempre de fora e não receber nenhuma pressão.
§ Quando ele está em uma situação de muito estres - como fila de supermercado, por exemplo - eu fico atrás dele e coloco as minhas mãos no seu ombro fazendo pressão para baixo desta maneira: faço pressão, conto 1, 2 e solto, pressão 1, 2 solto.
§ Se ele já está muito estressado faço exercícios de respiração como assoprar o meu dedo por alguns minutos. Exemplo: inspirar, um, dois, três, expirar.
§ Ele gosta de pular em uma bola grande de terapia que o ajuda a se concentrar para sentar e fazer um trabalho. Às vezes faço com ele o seguinte exercício: seguro o seu calcanhar e deito-o sobre a bola (de barriga) e então rolo a bola para frente e para traz. Isso acalma.

FONTE: FOCUSE, Beth & WHEELER, Maria. A tresure chest of behavioral strategies for Individual with autism. Arlington TX, Future-Horizons, 1997


[1]) - FOCUSE, Beth & WHEELER, Maria. A tresure chest of behavioral strategies for Individual with autism. Arlington TX, Future-Horizons, 1997, p.59. 

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